*** Temporais ***

Permita que eu me jogue no abandono Como se a solidão fosse um abismo Eu já não espero mais por romantismo Quando as noites se calam sem pudor
Cartas revelando o destino Como se meu rosto fosse um desenho Incompleto, feito sem empenho Pelas mãos de um anjo ainda menino
Toque minhas mãos frias Sinta meus sangue correr E diga-me que ainda estou viva
Deixe-me cicatrizes invisíveis Lágrimas secas... Mágoas que se tornam pó Minha imaginação é um cenário perfeito Para que minha alma sobreviva só
Eu não espero flores Nada que enfeite essa tristeza Para olhos que já conheceram a pura beleza Sofrer em vão é a pior maldição
Verdades opacas Tomam a minha mão E mesmo que eu não siga A mais bela trilha para o infinito Meus pés já conhecem este chão E preferem a inércia
Meu céu claro, livre de temporais Espreitando-me Mas eu não procuro por paz Meu corpo já se acostumou às batalhas sem fim...
Escrito por Bia Carvalho às 09h18
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*** QUASE UM SUSPIRO ***

Abrem-se as portas do meu próprio universo Meu espírito suspira Em uma calma desconhecida Há um amor latente que sobrevive à ira E finge que morre Mas ainda transpira calor e vida
Os versos que ferem como punhal Embalam-me em solidão e agonia As mesmas vozes mudas de outrora Gritam em algum outro plano astral Que tudo que eu sinto Não passa de teimosia...
E eu me perco em um doce acalanto Desfazendo-se em lembranças febris Quem me dera que a noite estendesse seu manto Para que meu corpo repousasse sem pressa E meus sonhos me dessem a vida que eu sempre quis
Como raios de luz que vêm e vão A febre que me toma me traz satisfação Pois é dela que vem o calor Que me aquece neste inverno particular
Como nuvens de outra dimensão Meus pensamentos entram em colisão Quando eu fecho os olhos Sem saber para onde olhar
Desfaz-se a poeira desta tristeza Meu sorriso se modifica Como um sentimento sem razão Mas minha súplica é tudo que fica Presa nos mares bravos Que banham minha última ilusão
Sede de desejos reprimidos Afagos de minha própria lucidez tentam me ferir Quando minhas mãos trêmulas Tocam de longe o infinito Mas nada conseguem sentir
Fome de emoções torturantes Indícios de cataclismas em todos os meus humores O medo da verdade O medo da mentira Minhas memórias são meus piores temores...
Escrito por Bia Carvalho às 09h14
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